O amor não passou

Não. Não passou.
Passaram-se anos,
séculos,
e tua ausência perdurou.

Furto noturno

Sabe?!
Aqueles teus beijos
que, julgando-os meus,
disse que me devias?

Beije-o!

Mais vale o eterno
encanto da promessa,
que o efêmero
beijo da despedida.

Meu caso

Vem ver minh’alma
de caso com
a juventude.

Insensatez

Faz-me lenta, prazerosa,
liberta de cercas, à toa,
insensata, misteriosa.

sábado, 27 de dezembro de 2014

Vem, amor!






Vem, amor!

Meu corpo com o “oito maia”
te surpreenderá.
Dançarei sim.
dançarei
para te encantar.

Vem, amor!
Sei rezas e unguentos
que curam qualquer lamento.
Se for ferida de amor,
então nem se fala!
tenho magia nas mãos
que do coração exala.
Serve também pra feitiço,
quebrantos e mil mazelas.

Vem, amor!
Desfarei todas elas.

Os versos tristes que escrevo
são fingimentos de poeta,
que diz que dia é noite
e noite é dia.
Tudo inventa, tudo exagera
na magia dos versos,
só pra fazer poesia.

Vem, amor!
Não se intimide!
É disso que a alma vive.

Também sei fazer rir
e ser deveras radiante.
Te esperarei com festas e
presentes, da simplicidade
da  mirra ao eterno diamante.

Vem, amor!


Oldair Marques

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Sereia



Sereia
(Odoiá, minha Mãe!)

Era de manhãzinha,
E era lindo ver.
Meio menina, meio mulher,
meio tudo querendo ser,
  estava ela à beira mar
ao amanhecer.

Com palmas, crisântemos e rosas,
cetim, fitas, perfume e pó de arroz.
Nada mais que gloriosa,
entregou-se toda ao mar.

E foi recebida então
por todo o povo que foi saudar,
de Iansã a Iemanjá.

Por todo o céu,
por todo o mar,
pelo coração dos Orixás.

E ainda solene na areia,
tão docemente sereia,
indolentemente encantada,
sorria feliz, batizada.

E devolveram-lhe à terra morena.
E lhe injetaram ainda na veia, na vida,
a grandeza de ser sereia,
a certeza de ser querida.

Oldair Marques

sábado, 9 de novembro de 2013

Devaneio


Devaneio

Ah! Estes tentadores pensamentos!
Quando por um instante arrebentam,
vivem em corações nunca antes nascidos,
explodem de ciúmes diante do amor idealizado,
e frequentemente choram por motivos desmerecidos.

E o pior de tudo que encerram,
quando vivem, explodem e choram,
é que me transformam em dois entes desesperados,
dependentes de um pouco de sono acordado,
infantilmente envolvidos pela ilusão de serem amados.

Ah! Estes pensamentos que aos teus envolvem,
embora nem sequer existas,
que a ambos nos arrastam indolentemente
a uma vida inteira de amor durante um segundo!
Nem sei se são meus. Residem de graça em minha mente.


Oldair Marques


Credito:
Imagem: Reid Robert Lewis 
Obra : Reverie